Biblioteca Divilas - Museu do Hip Hop RS - 2026/1
Apresentação
Este trabalho é requisito para a conclusão da disciplina Sistemas de Classificação IV, ministrada pelo professor Renê Faustino Gabriel Junior, no curso de bacharelado em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no semestre de 2026/1. O objetivo desta atividade é elaborar uma política de indexação para a Biblioteca Divilas, a qual faz parte do Museu do Hip Hop do Rio Grande do Sul.
A indexação é o processo utilizado para descrever o conteúdo de documentos em um sistema informacional, com a finalidade de recuperá-lo posteriormente. A criação de uma política de indexação é necessária para que haja a padronização da indexação, estabelecendo os critérios usados para realizar este procedimento.
No decorrer deste escrito, são apresentadas as condições reais da biblioteca, com informações levantadas pessoalmente em visita técnica realizada no mês de abril de 2026. Pretende-se que esta política contribua com o fazer bibliotecário da instituição e traga visibilidade para a biblioteca, incentivando outras produções intelectuais sobre a mesma.
Museu do Hip Hop RS
Consagrado como o primeiro museu do Hip Hop da América Latina, o espaço se propõe a preservar a história do Hip Hop gaúcho por meio de exposições interativas, eventos culturais e ações educativas. O Museu do Hip Hop RS está localizado na Rua Parque dos Nativos, n.º 545, na Vila Ipiranga, em Porto Alegre, em um prédio cedido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o qual abrigava a antiga Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Oswaldo Aranha.
Seu impacto na sociedade objetiva a inclusão anual de 4.000 jovens de 14 a 24 anos nos percursos formativos gratuitos oferecidos pelo museu, contribuindo para a geração de mais de 50 empregos por ano. O complexo conta com quatro edificações, abrigando salas expositivas, estúdio de gravação, biblioteca, loja, café, acervo, salas multiuso e para oficinas, área para graffite, breaking, discotecagem, espaços para shows, sala administrativa, horta, anfiteatro e quadra poliesportiva.
Biblioteca Divilas
Sobre a biblioteca
A Biblioteca Divilas é uma biblioteca pública, inserida no Museu do Hip Hop RS. É uma homenagem ao rapper, ativista, pesquisador e educador Chiquinho Divilas (Jankel Francisco Cláudio), que hoje é Doutor e Mestre em Diversidade Cultural e Inclusão Social (FEEVALE RS). Residente na comunidade mais carente de Caxias do Sul, foi integrante de um dos primeiros grupos de Rap da Serra Gaúcha, o Poetas Divilas. Portanto, a homenagem se deve ao fato do pioneirismo dessa personalidade e sua importância para a consolidação do movimento Hip Hop no estado do Rio Grande do Sul.
Organograma
Organograma da instituição que se insere a Biblioteca Divilas:
Elaborado pela estudante.
Localização
A Biblioteca Divilas é uma instituição que compõe o Museu da Cultura Hip Hop RS, o primeiro museu de Hip Hop da América Latina. O museu foi inaugurado em dezembro de 2023 e situa-se na Rua Parque dos Nativos, 545 - Vila Ipiranga, Porto Alegre. A biblioteca localiza-se no segundo andar do prédio.
Objetivos da Biblioteca
Partindo dos pressupostos da Biblioteconomia Social e da cultura Hip Hop, a Biblioteca Divilas é um espaço que prioriza as relações humanas e a oralidade, portanto, não apenas salvaguarda produções literárias em seu espaço, mas também se constitui como um local de encontros, sejam encontros de escritores, artistas ou leitores. Propõe-se a incentivar o movimento do fazer (movimento maker), através de projetos que possibilitem a criatividade, a sustentabilidade e a construção colaborativa. Promove o pensamento crítico, o incentivo à leitura e à cultura através do acesso, da circulação dos livros, do compartilhamento de ideias e expressões artísticas.
Serviços oferecidos
A seguir, estão listados os serviços oferecidos:
- Empréstimo de livros para colaboradores e alunos das oficinas da Casa Arte Sesc (oficinas que acontecem no Museu);
- Palestras;
- Contação de histórias;
- Atividades artísticas;
- Encontro com autores e sessões de autógrafos;
- Evento Museu Literário;
- Clube de Leitura.
Perfil do público da biblioteca
Devido a sua localização e temática, a biblioteca recebe um público diversificado diariamente: pessoas de diferentes idades, gêneros, etnias e classes sociais. Aproximadamente, 100 alunos da rede de ensino municipal e estadual passam pelo Museu do Hip Hop através das visitas mediadas, sendo parte da programação a visita na Biblioteca Divilas. As principais necessidades informacionais do público são relativas à busca por literatura poética, literatura de Hip Hop, literatura afro-centrada e obras de cunho político.
Acervo
O acervo é composto por cerca de 1.000 livros, todos adquiridos através de doação. Os livros disponibilizados, assim como qualquer outro recurso propiciado neste ambiente, articula-se com a proposta de contribuição para a formação social, cultural e de desenvolvimento do pensamento crítico. Sendo assim, o acervo prioriza obras que fomentem o antirracismo, antifascismo e que combatam as formas de opressão existentes na sociedade.
Características do acervo
A seguir, estão listadas as características das coleções do acervo, dando ênfase para a sua cobertura temática:
- Literatura brasileira contemporânea: obras de autoria de autores brasileiros da atualidade;
- Literatura Infantil e Infanto-juvenil: obras de autoria negra; literatura afro-centrada; educação para as relações étnico-raciais (ERER); literatura indígena e obras em Braille;
- Literatura Hip Hop: poesia; obras de autoria de personalidades do movimento Hip Hop;
- Obras sobre questões sociais: feminismo negro; questões de gênero; ações afirmativas; inclusão social e antirracismo;
- Biografias: obras que apresentam a história de vida de personalidades do Hip Hop, personalidades negras e de atuação política.
Organização da biblioteca
Atualmente, a bibliotecária organiza os livros em uma lista no Excel, contendo todos os livros presentes no acervo. O controle dos empréstimos também é realizado nesta lista. Os livros que não são emprestados contém uma tarja vermelha. A informação é recuperada com o auxílio da bibliotecária ou através da busca a esmo. O uso de tesauros e vocabulários controlados não se aplica no momento.
Recursos
Infraestrutura
A Biblioteca é um espaço descontraído com boa iluminação e circulação, suas estantes são dispostas nas paredes e não ocupam o centro da biblioteca. Há um pequeno palco, uma televisão que repassa os eventos musicais que acontecem na biblioteca, sofás, estantes em formas de skate e atração principal: uma estante em formato de rádio boombox que, além de guardar os livros, também possui alto-falantes como recanto para sentar. Possui uma maquete do Museu e um pequeno espaço para exposições, o qual atualmente está ocupado pela exposição Latamorfose, sendo uma exposição artística de latas de spray transformadas em esculturas. Suas paredes são pretas e é enfeitada, próximo ao palco, com um dos cinco elementos da cultura Hip Hop: o graffite.
Recursos humanos
Atualmente, a profissional responsável pelo espaço é a bibliotecária Mary Branchi, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2011. A profissional possui experiência em projetos de leitura e formação de leitores e professores na Educação básica e bibliotecas. Ministra oficinas de dinamização de bibliotecas, bebetecas, alfabetização literária, BNCC e a formação de leitores, professores leitores e novas tecnologias para o livro e a leitura.
Recursos tecnológicos
A realidade atual da biblioteca não apresenta sistema de gestão de bibliotecas (como Pergamum ou similares) ou assinatura de bases de dados.
Recursos financeiros
A arrecadação de livros é feita através de doação. Há previsão de orçamento adequado para o próximo quadriênio, atual forma de funcionamento da gestão desta instituição cultural.
Indexação
Formação do indexador
A pessoa responsável pelo processo de indexação deverá ser um(uma) profissional bibliotecário (a). É relevante que possua cursos específicos especializados para área de indexação, sendo imprescindível manter-se atualizado(a) sobre a temática pertinente à biblioteca.
Cobertura temática
Tendo como base a definição das áreas de conhecimento definidas pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), serão contempladas as seguintes áreas:
- Ciências sociais aplicadas;
- Ciências humanas;
- Multidisciplinar.
Processo de indexação
Conforme a norma NBR 12676 - Métodos para análise de documentos (1992), a indexação consiste em três etapas:
- Exame do documento e estabelecimento do assunto de seu conteúdo;
- Identificação dos conceitos presentes no assunto;
- Tradução desses conceitos nos termos de uma linguagem de indexação.
Exame do documento e estabelecimento do assunto
O exame do documento refere-se à uma leitura que permite compreender o documento de forma abrangente. Nesta etapa, deverão ser lidos:
- título e subtítulo;
- resumo;
- sumário;
- introdução;
- ilustrações, tabelas e seus respectivos títulos;
- conclusão.
Identificação dos conceitos presentes
Para identificar os conceitos presentes no documento, a pessoa indexadora deverá realizar as etapas listadas a seguir:
- Ler e compreender o título;
- Ler os títulos dos capítulos do documento, bem como ilustrações, gráficos, tabelas e seus respectivos títulos;
- Realizar a seleção dos assuntos abordados no documento;
- Avaliar os termos descritores ou palavras chave presentes no documento para verificar se os conceitos apresentados encontram-se representados no documento e incluídos na indexação.
Tradução dos conceitos
Após a análise do documento e identificação dos assuntos, é necessário que os conceitos presentes no mesmo sejam traduzidos. Refere-se à tradução desses conceitos para os termos autorizados em uma linguagem documentária.
Níveis de indexação
Exaustividade
A exaustividade se refere à quantidade de termos descritores atribuídos ao documento. Quanto mais exaustiva a indexação, um número maior de termos será utilizado. Dessa forma, a possibilidade de recuperação de um documento é maior, porém, afetará o grau de precisão, fazendo com que este seja reduzido.
- Regra: a biblioteca deverá utilizar no mínimo cinco e no máximo dez termos descritores. A decisão se justifica pela viabilidade da recuperação da informação.
Especificidade
A especificidade diz respeito ao grau de precisão que a linguagem documentária permite especificar os conceitos observados no documento.
- Regra: devido ao fato de que a biblioteca atende um público amplo e a maioria dos usuários realiza buscas simples, a indexação sempre deverá priorizar o uso do termo mais geral.
Revocação
A revocação refere-se à quantidade de documentos úteis recuperados, sendo mensurada através da relação entre o número de documentos recuperados e o número total de documentos existentes no sistema. Exaustividade, revocação e precisão estão relacionadas. Quanto mais exaustiva for a indexação, maior será a revocação, quanto mais específica for a indexação, menor será a revocação.
Precisão
A precisão diz respeito ao número de documentos recuperados que atendam a necessidade de informação do usuário. Quando a indexação é realizada de forma mais específica, o nível de precisão é maior, em contrapartida, resulta em um menor nível de revocação.
Capacidade de consulta a esmo
Devido a organização da biblioteca e disposição das estantes, bem como sua extensão, é possível que os usuários visualizem as obras dispostas e encontrem-as facilmente, pois são dispostas com as capas viradas para a frente. As obras infantis ficam em locais de fácil acesso para este público. É possível solicitar ajuda para a bibliotecária, a qual utiliza uma lista no Excell com todos os livros presentes na biblioteca.
Impacto esperado na recuperação da informação
O impacto esperado na recuperação da informação é o de favorecer buscas mais precisas e inclusivas no software que vier a ser implementado na biblioteca, permitindo tanto a localização rápida de obras literárias contemporâneas quanto o acesso qualificado aos diversos materiais presentes no acervo.
Referências
BIBLIOTECA NACIONAL DE BRASÍLIA. Política de Indexação. 2014. 26 p. Disponível em: https://bnbdigital.cultura.df.gov.br/colecao-bnb/politica-de-indexacao/. Acesso em: 11 abr. 2026.
DE SOUZA, Mary Nice Branchi. O papel mediador da biblioteca no 1º Museu da Cultura Hip Hop da América Latina. In: XXX Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. 2024. p. 1-9. Disponível em: https://portal.febab.org.br/cbbd2024/article/view/3248/3181 Acesso em: 07 abr. 2026.
GUIM, V. L. R.; FUJITA, M. S. L. Política de indexação e linguagens documentárias nas bibliotecas escolares. Brazilian Journal of Information Science, v. 10, n. 3, 2016. Disponível em: https://brapci.inf.br/v/14649. Acesso em: 17 abr. 2026.
LEIVA, Isidoro Gil; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes. Política de indexação. São Paulo: Editora UNESP, 2012.
MUSEU DO HIP HOP RS. Biblioteca Divilas. Disponível em: https://museuhiphoprs.com.br/biblioteca-divilas/ Acesso em: 01 abr. 2026.